Mais um filme para a lista do boas idéias que não tiveram boa execução.
O conceito de District 9, se não é novo, pelo menos era algo que não vinha sendo tratado com frequência recentemente. Vou lembrar as primeiras informações que ouvi a respeito.
Sem nenhuma explicação, uma nave extraterrestre chega à Terra. Quando as portas são abertas, aliens doentes e feridos são encontrados. Sem alternativa, são mantidos em um gueto na África do Sul, onde passam a conviver com a sociedade humana. E todos os problemas que isso implica.
Isso, como disse, não é nada novo. No fundo, é o tema do preconceito, apenas mudando os personagens. As histórias dos X-Men trouxeram bem este tema; enquanto os antigos seriados japoneses mostravam uma sociedade bem mais receptiva: ninguém perseguiu Jaspion por ele ser um extraterrestre, nem os Flashman.
Mesmo não sendo um filme assim tão original, imaginei que não seria repleto de batalhas humanos X aliens. Cheguei a pensar que poderia haver até questões políticas a serem tratadas de alguma forma. Mas District 9 cai em diversas situações manjadas e reforça alguns preconceitos – só pelo fato de eu considerar isso já é um preconceito. Quero dizer, eu imaginar que a situação possa gerar preconceito já mostra que existe um preconceito, mesmo que eu diga que não sinta, apenas entenda.
O filme deve ter sido feito para agradar o máximo possível de pessoas, só assim para explicar tanta mistura de referências. Cito algumas: Independence Day, RoboCop, RoboCop 2, Resident Evil 5, Doom, FarCry e Prototype. É notável a semelhança de algumas cenas com o layout típico de um jogo de videogame, assim como alguns recursos de enredo.
E qual o problema de um ângulo de câmera normal? Por que insistem em fazer o estilo Aqui e Agora? Raros são os filmes que usam adequadamente a visão em primeira pessoa (Cloverfield não é um exemplo).
Outro ponto negativo é que, em geral, filmes sobre robôs, aliens e bichos não tratam os personagens como eles são (ou deveriam ser); são sempre humanizados, com reações tipicamente humanas e sentimentos. No final, resultam personagens que poderiam ser substituídos por alguma variação qualquer.
Por exemplo, se alguém quiser fazer um filme sobre como seria o mundo se os cães fossem a espécie dominante, poderia pegar District 9 e fazer uma ou duas substituições e já teria um filme comercialmente aceitável.
Algumas cenas de District 9 simplesmente não fazem sentido com a trama em geral, embora algumas partes do final tenham sido interessantes. Não recomendo ir ao cinema para ver, mas vale um aluguel se estiver em um dia de boa vontade.
[O próximo filme sobre o qual preciso escrever é Bastardos Inglórios]