Publicado por: Henrique Minatogawa | Fevereiro 14, 2007

F-1 era

Talvez você tenha lido que o piloto brasileiro Ayrton Senna foi escolhido por um grupo de profissionais do ramo do automobilismo como o piloto mais rápido da história.Claro que toda lista é contestada e há uma série de variáveis que também devem ser observadas. Mas não vou me preocupar em discutir a lista em si. Afinal, sempre é a mesma coisa, seja na lista de álbuns mais influentes na história da música ou na lista de melhores jogos.É muito complicado comparar qualquer coisa. Ainda mais se pertencem a épocas distintas. Mas é inevitável, certo?

Schumacher bater o recorde de Senna de pole positions, coisa que muita gente duvidava. Mas Schumacher teve quase 15 anos de F-1. Senna, 10. Senna fazia poles com carros notavelmente inferiores, em uma época em que não havia tantas comodidades tecnológicas.

Aliás, não precisamos contar apenas poles. Em 1993, o McLaren MP4/8 era inferior às Williams, Benetton e Ferrari (em circuitos de alta). Mesmo as Ligier e Sauber, em algumas ocasiões, davam trabalho. O carrinho era bom, mas o Ford Cosworth V-8 era de uma evolução inferior aos motores da Benetton. O fato é que Senna venceu cinco corridas naquele ano (Brasil, Donington, Monaco, Japão e Austrália) e largou sempre no pelotão da frente. Era raro vê-lo na terceira e quarta fila.

Hoje em dia, há novos elementos. As paradas, o reabastecimento, os pneus mais frágeis. Há quem vibre com toda essa parte estratégica. Nisso, Schumacher é o melhor. Eu comecei a acompanhar F-1 na época dos pit stops de 4.55 s, sem limite de velocidade. Claro que certas coisas do automobilismo beiravam a insanidade, o que foi melhorado após 1994. Alonso é um outro exemplo de piloto moderno. Em geral, faz corridas sem riscos, lembrando Alain Prost.

Talvez F-1 seja o único assunto no qual eu sou saudosista mesmo. Não sou daqueles que falam que música dos anos 70 é melhor, nem que filme em preto e branco é que era bom, nem que imbatível mesmo era a Seleção de 70, muito menos que videogame é o Colecovision.

O que parece é que a F-1 cada vez mais reflete o movimento dos milhões de dólares que ela movimenta. Gosto da equipe Williams porque ela se mantém da mesma forma, sem patrocínio de cigarros, naquela estrutura “de garagem”, como dizem. Os pilotos também parecem que recebem uma carga de aulas de marketing, com atitudes quase iguais das modelos que seguram as placas.

Isso porque peguei já o início da era moderna da F-1. Imagino o que diriam aqueles que viram a época do Emerson e antes.

Algumas coisas que são legais de lembrar. Após a eliminação do Brasil na Copa de 86 diante da França, o GP seguinte era o da França, em Paul Ricard. Senna venceu e carregou a bandeira do Brasil, gesto que depois se tornou tradição e até imitado por outros pilotos em algumas ocasiões. Hoje, é proibido alguém de fora entregar qualquer coisa para o piloto ou ter contato com o carro. Mansell empurrando o carro sem combustível no final do GP dos EUA, se não me engano. Senna pegando uma carona na Williams de Mansell em 1992.

Até mesmo condutas anti-esportivas faziam parte daquela época. Prost jogou o carro em cima de Senna em Suzuka, em 1989, e recebeu claramente o troco em 1990. Schumacher fez isso em 1994 e 1997. Inclusive, em entrevista, ele afirmou que, se pudesse apagar algo da carreira, seria o episódio do GP da Europa de 97, quando jogou o carro em cima de Jacques Villeneuve, sem sucesso.

Em 1994, na Austrália, foi muita sacanagem com o Damon Hill. Mas F-1 era aquilo, rivalidades, sempre no limite até da ética. Sem Senna, pouco disso ficou. Aquela batida serviu para criar Hill X Schumacher. Hill, representando o bom moço, era considerado um piloto mediano que foi alçado à condição de primeiro piloto. Foi campeão em 1996, mas foi reconhecido como grande piloto ao assinar contrato com a Arrows e quase vencer um GP no braço. Schumacher ficou com o papel de vilão. Outro que representou esse papel foi Eddie Irvine, aquele que, retardatário, fechou a porta para Senna em Suzuka-93. Quase foi campeão pela Ferrari anos depois.

Em 1991, com o tricampeonato garantido, Senna abriu caminho e Berger venceu. Hoje, nem de brincadeira fazem isso.

Outra coisa muito legal, já mais recente, foi em 1997, quando Villeneuve foi campeão. Havia um complô anti-Schumacher não declarado. Nas corridas finais, Williams e McLaren pareciam ter se unido contra o alemão. Villeneuve disparava na frente, enquanto Hakkinen e Coulthard atrasavam Schumacher. No ano seguinte, foi a vez da McLaren voltar a dominar.

Bom, para resumir para vocês, pesquisei uns vídeos no YouTube para ilustrar.

Schumacher joga o carro em Villeneuve:

http://www.youtube.com/watch?v=BNPbk8f2aIU

Mansell empurra o carro sem combustível:

http://www.youtube.com/watch?v=4KYdiL5Rn0E

Senna pega carona com Mansell:

http://www.youtube.com/watch?v=3AdJDqGd19M

Lembra do “fechar a porta”:

http://www.youtube.com/watch?v=HgQl-Xs8sL8

Senna X Mansell em Monaco-1992:

http://www.youtube.com/watch?v=xHhWD095uj0

Largada GP da Europa-93:

http://www.youtube.com/watch?v=AhXDgL0PrKk

Senna X Piquet:

http://www.youtube.com/watch?v=unlpHgLukis

Drible:

http://www.youtube.com/watch?v=aCekuFeSRL0


Respostas

  1. Bem Amigos da Rede Globo…
    Era assim que começava meus domingos em dia de F-1, eu e meu velho.
    Ainda na época de Nelson Piquet e sua Camel amarela, logo depois veio o inconfundivél vermelho e branco da maclaren contrastando com o verde e amarelo de Senna. Na época era comum o cigarro malboro apresentar comerciais na TV mostrando abilidosos e imponentes cowboys.
    Senna saiu da Maclaren, a Maclaren deixou de ser vermelha e branca e nunca mais se viu os cowboys na tv, pois o ministério da saúde começou a advertir, fumar causa impotência sexual.

  2. taí um assunto que eu gosto bastante, apesar que de uns anos pra cá _com excessão do ano passado_ a F-1 tava bem sem graça, vitória do Schumacher sempre (teve uma época que eu até durmia durante a corrida, jah que era de manhã) mas agora que ele se aposentou eu espero que a F-1 volte a ser mais emocionante, o que eu acho muito difícil jah que hj em dia importa mais o carro do que o piloto (infelizmente). Queria eu ter assistido a F-1 na época de Senna, Piquet, Mansell, Berger e Prost, o máximo que eu consegui foi ver VHS’s de temporadas em que o Senna foi campeão e sentia inveja do meu pai que viu tudo akilo ao vivo e que me contava as histórias da F-1. Lembro de um vídeo sensacional do Senna pilotando a McLaren em Interlagos e narrando cada movimento que ele fazia, simplesmente sensacional. Hoje em dia ta tudo muito tecnológico demais, corridas que as vezes não tem nenhum carro quebrado, nenhum acidente sério (não que eu queria que tenha, mas quando acontece é interessante de ver :P ), nenhuma ultrapassagem, quando muito as ultrapassagens só acontecem nos pit-stops, por isso que da F-1 contemporânea uma das únicas corridas que eu lembro sem fazer muito esforço é akele GP da Alemanha que o Rubinho largou em 18o e embaixo de chuva conseguiu a primeira vitória dele na carreira. Tomara que daki em dianteas corridas sejam pelo menos do nível que foi o GP do Brasil do ano passado (mas o Schumacher jah parou né ¬¬). AAAA e outra coisa que me incomoda é a falta de rivalidade entre os pilotos, todo mundo muito amiguinho, muito chato, na época de Senna e Prost que era legal.

  3. fiko um pouquinho grande…

  4. Essa falta de rivalidade é uma merd* mesmo. Nesse ponto, achava legal o Villeneuve. O Montoya, que achei que seria bom nesse aspecto, comprovou o estigma da migração Indy (ou Cart ou sei lá o quê) para a F-1.

    Na época do funeral do Senna, Prost deu uma entrevista afirmando que, nos últimos tempos, estava conversando mais com Senna, de uma forma diferente, já sentindo a mudança de era da F-1. Provavelmente tudo isso depois do GP da Austrália de 93. Aliás, uma cena daquelas hoje em dia dificilmente aconteceria.

    Para encerrar, Prost disse que sentiu que uma parte dele morreu também. Acho que já comentei sobre isso, mas vale repetir.

    Para os próximos anos, fico otimista. Alonso já mostrou em alguns episódios que às vezes fala demais (no bom sentido) e é de um país latino. Só que na pista, é quase tão metódico quanto Prost. Exceto nas horas em que solta o volante e gesticula – fato raro hoje.

    A dupla da Ferrari é uma incógnita. Eu não apostaria em um relacionamento amistoso.


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